fbpx

Entenda mais sobre a horripilante paralisia do sono e por que ela ocorre

Publicidade

Era pra ser uma noite comum de sono, mas você acorda de repente, ainda está escuro e fica convencido de que há uma figura do mal bem a sua espreita. Você se esforça para se mover, mas não consegue, tenta gritar sem sucesso e, enquanto isso, o mal se aproxima. O que poderia ser facilmente uma cena de qualquer filme de terror, está acontecendo de verdade, você está com paralisia do sono.

Esse distúrbio horripilante, também é um pouco misterioso e é conhecido como parassonia. Seus relatos remontam desde o início da humanidade e deu origem a diversas histórias de fantasmas e aparições noturnas.

Publicidade

O primeiro registro médico dessa experiência assustadora, remonta o século 17 e foi documentado pelo médico holandês Isbrand Van Diembroeck. Ele relatou o caso de uma mulher de “50 anos de idade, em boa situação, saudável”, mas que costumada reclamar de experiências misteriosas à noite.

Segundo o médico “ela acordava no meio da noite e às vezes acreditava que o diabo estava ali e a pressionava, às vezes era sufocada por um cachorro grande ou ladrão deitado sobre o peito, de modo que mal podia falar ou respirar, e quando se esforçava para se livrar da carga, não conseguia mexer seus membros”.

Pode-se afirmar que o relato de Van Diembroeck refere-se a uma paciente com a condição que passou a ser conhecida como paralisia do sono. De acordo com pesquisadores, trata-se de uma “parassonia comum, geralmente benigna, caracterizada por breves episódios de incapacidade de se mover ou de falar combinada com a consciência desperta”.

A relação entre paralisia do sono e alucinações

Todo o terror em torno da paralisia do sono não se deve apenas ao fato de que de repente você fica alerta, mas não é capaz de se mover ou emitir som, mas sim, porque a condição é acompanhada frequentemente de alucinações horripilantes.

De acordo com a literatura especializada, as alucinações se enquadram em três categorias distintas:

1 – Sentir uma presença, são as alucinações intrusas, em que a pessoa sente a presença de um indivíduo malvado e ameaçador.

2 – Alucinações de íncubos, quando a pessoa pode sentir algo ou alguém a pressionando desconfortavelmente, no peito ou abdômen, ou até mesmo, tentando sufocá-la.

3 – Alucinações vestíbulo-motoras, nessas alucinações a pessoa pode sentir que está flutuando, voando ou se movendo, o que pode até mesmo incluir experiências extra-corpóreas, quando a pessoa pensa que seu espírito ou mente deixou o seu corpo e está se movendo e observando eventos de cima.

Contudo, dentro os tipos citados acima, a primeira é a mais comum, a maioria dos indivíduos com paralisia do sono costumam vivenciar essa presença sentida.

Segundo um estudo publicado no Jornal of Sleep Research, não há uma resposta única quanto ao tempo de sono em que ocorre a paralisia do sono, mas é possível afirmar que ocorre logo após o sono (episódios hipnagógicos), em algum momento durante o sono (episódios hipnomesicos), ou um pouco antes do horário habitual da pessoa despertar (episódios hipnopômpicos).

O estudo também observa que os casos mais comuns de paralisia do sono são hipnomesicos e ocorrem após 1 a 3 horas depois do adormecimento.

A figura do “homem estranho e sombrio”

É possível que as visões sejam tão realistas para as pessoas, que elas acreditam estarem vivenciando uma experiência paranormal, ou sendo submetidas a testes e rituais sombrios.

Os relatos de testemunhas costumam ser inquietantes. Louid Proud conta em seu livro Dark Intrusions relatos detalhados de anos de estranhos encontros noturnos.

De acordo com ele “uma pessoa que me contou que sobre suas alucinações disse que sentia como se alguém se ajoelhasse [no peito] de modo que [sentisse] como se [estivesse] sendo sufocado”.

Publicidade

Outra pessoa afirmou que “Quando [a  paralisia do sono] ataca, eu tenho alucinações visuais e auditivas, que na maioria das vezes envolve um homem estranho e sombrio subindo minhas escadas e entrando no meu quarto. Ocasionalmente ele me cutuca ou me faz cócegas”.

Em razão da intensidade dessas experiências alucinatórias, os pesquisadores tem argumentado de maneira repetida que as alucinações ligadas à paralisia do sono podem ser responsabilizadas por muitos relatos de eventos mágicos, aparições de fantasmas e demônios ou até mesmo, de abduções alienígenas.

As raras exceções felizes

Quase sempre a paralisia do sono está relacionada a relatos de alucinações horripilantes, mas algumas raras exceções apontam um estado de felicidade que tornam as pessoas ansiosas por esses episódios.

Segundo um estudo conduzido por James Allan Cheyne, da Universidade de Waterloo, Ontário, Canadá, as pessoas que descrevem sentimentos positivos e sensações durante um episódio de paralisia do sono são aquelas que são mais propensas a alucinações vestíbulo-motoras.

Eles afirmam que “essas alucinações envolvem sentimentos de flutuação e [experiências fora do corpo], que estão associadas a sentimentos de felicidade, em vez de medo”.

Cheyne afirma que os sentimentos de felicidade durante a paralisia do sono são derivadas de sensações eróticas agradáveis que surgem das alucinações vestíbulo-motoras.

O que exatamente acontece com o corpo durante a paralisia do sono?

Embora as razões para a ocorrência da paralisia do sono ainda não seja completamente conhecida, afirma-se que durante a fase de sonho do sono, conhecida como fase do movimento rápido dos sonhos (REM), nossos músculos esqueléticos firam paralisados, isso ocorre todos os dias.

Mas a teoria popular aponta que esse estado temporário de paralisia nos impede de nos ferirmos, em resposta automática a algum sonho violento.

A partir disso, durante a paralisia do sono, paradoxalmente, nosso cérebros, ou parte deles, ficam despertos e conscientes, mas o nosso corpo ainda estaria imobilizado em razão dos sonhos.

Ao mesmo tempo, a paralisia do sono faz com que muitas pessoas experimentem visões e sensações de sonho como se fossem reais, daí o fato das pessoas estarem conscientes e despertas, mas não conseguem se mover, confundindo a linha entre a realidade e sonho.

Com que frequência ocorre a paralisia do sono?

A ocorrência da paralisia do sono é mais comum do que podemos pensar. Um estudo de 2016 declarou que seria algo surpreendentemente comum, mas difícil de determinar as taxas de prevalência precisamente. Isto ocorre “porque pesquisadores e participantes do estudo têm diferentes entendimentos do que é considerado paralisia do sono”.

Mas uma revisão recente dos dados disponíveis aponta que 7,6% da população já experimentou ao menos um episódio durante sua vida.

Ainda assim, as causas concretas e os riscos de vivenciar um episódio e paralisia do sono ainda permanecem em parte misteriosos. Mas esse é um sintoma comum de quem tem uma desordem neurológica conhecida como “narcolepsia”, que se caracteriza pela sonolência incontrolável durante o dia.

Outras pessoas, no entanto, apresentam a paralisia do sono independentemente de outras condições neurológicas. Esses casos que são denominados como paralisia do sono isolada e começam na adolescência. Cerca de 28,3% dos estudantes já vivenciaram algo parecido.

Publicidade

Share