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Conheça Giulia Tofana, envenenadora profissional do século XVII que confessou ter matado mais de 600 homens

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Quando pensamos em serial killers, logo vem a nossa mente personagens como Ted Bundy, Hannibal Lecter ou até mesmo Norman Bates. Esses são os mais famosos que permeiam a cultura popular, contudo, a história conta que uma mulher está entre uma das mais prolíficas serial killers de todos os tempos.

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Na Roma, Itália, do século XVII, as mulheres eram tratadas como mercadorias pela sociedade, como objetos por maridos indiferentes e muitas vezes abusivos. Sem nenhum poder financeiro ou social, as opções eram limitadas: casar-se, continuar solteira e sustentar-se como profissional do sexo, ou, com uma boa dose de “sorte”, se tornar uma respeitada e autônoma viúva. Claro que para chegar até a terceira opções, seria preciso se casar antes de qualquer coisa.

Assim, ser viúva era uma das opções mais atraente e para ajudar essas mulheres, Roma contava naquela época com um mundo muito bem oculto por trás dos véus do crime. Haviam serviços que tornavam essa realidade acessível às mulheres.

Esse submundo também existia em outras grandes cidades da Europa e era composta por alquimistas, farmacêuticos e ditos especialistas em “magia negra”. Mas na realidade, os especialistas não se interessavam verdadeiramente por artes das trevas em si, apenas resolviam as questões que padres e médicos da época eram proibidos de fazer, como abortos, por exemplo.

Pensando na realidade dessas mulheres, Giulia Tofana vendia uma famosa mistura letal, usada pelas esposas que queriam matar seus maridos. De acordo com as histórias, Giulia seguia os passos da mãe, ela quem teria ensinado a arte de envenenar e inventado a fórmula que era utilizada nos preparos.

Com a ajuda da filha e de algumas mulheres de confiança, Tofana ganhou uma reputação com amiga de mulheres que tinham esse problema chamado “marido”. Acredita-se que seu grupo de envenenadoras também possam ter recrutado um padre romano loca, o padre Girolamo. Assim, ele também participava secretamente da rede criminosa, contudo, não há confirmações se esta parte da história seria verdade.

Mas acredita-se que o padre era o fornecedor de arsênico para a fórmula venenosa utilizada por Tofana, que junto com suas colegas, disfarçava como um cosmético para as clientes.

Assim, se alguma mulher fosse perguntar sobre o tal produto de Tofana, bastava apresentar as garrafas de “Aqua Tofana”, um creme de rosto ou óleo cobiçado por mulheres, que tornavam suas clientes viúvas em pouco tempo.

A arma letal: Aqua Tofana

Giulia Tofana disfarçava seu veneno para que ele pudesse se misturar facilmente com o kit de cuidado das mulheres, como maquiagem, loções e perfumes. Embora fosse conhecida por seus clientes como Aqua Tofana, a própria garrafa de vidro era rotulada como “Maná de São Nicolau de Bari”, um óleo popular de cura para manchas da época.

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E embora fosse sutil, a Aqua Tofana era altamente letal. Uma mistura incolor e sem gosto que era capaz de matar um homem com apenas quatro a seis gotas. Contudo, a genialidade por trás do veneno estava na forma como agia, ele era indetectável mesmo depois da morte.

As vítimas, morriam aos poucos, em um processo que simulava uma doença. Administrada através de líquidos, as doses iniciais levavam a fraqueza e exaustão. Já a partir da segunda dose, iniciavam sintomas como dores de estômago, sede extrema, vômitos e diarreia.

Esse processo de morte gradual acabava por levar a vítima a oportunidade de organizar seus negócios, garantidos bons cuidados a futura viúva após a sua morte. E por fim, com a terceira ou quarta dose, que seria administrada nos próximos dias, o homem morreria.

O fim do reinado de terror de Giulia Tofana

Esse negócios escuros de Giulia Tofana enganaram as autoridades durante décadas em toda a Itália, durante o século XVII. Contudo, por uma tigela de sopa, Tofana acabou descoberta.

Dizem que em 1650, uma mulher serviu ao marido uma tigela de sopa com uma gota de Aqua Tofana. Contudo, antes que o marido tomasse, ela desistiu e implorou para que ele não ingerisse a sopa.

O homem acabou suspeitando e abusou de sua esposa até que ela confessasse ter envenenado a comida. Imediatamente ele entregou a mulher às autoridades e ela foi torturada até confessar que havia comprado Aqua Tofana de Giulia Tofana.

As autoridades saíram a procura da envenenadora, que escapou para a igreja local onde encontrou abrigo. Contudo, espalharam um boato de que ele teria usado Aqua Tofana para envenenar o abastecimento de água local.

A igreja foi invadida e Tofana foi presa. Após a prisão, ela teria sido brutalmente torturada e confessou ter matado cerca de 600 homens com o uso e a venda de seu veneno entre os anos de 1633 e 1651.

Isso fez dela a mente por trás de uma das tramas de assassinatos mais notórias da história. A partir daí, a lenda conta que ela foi executada em Campo de Fiori, Roma, em 1659, ao lado de sua filha e três ajudantes. Além, mais de 40 clientes de classe baixa de Tofana também teriam sido executadas, enquanto as mulheres de classe alta foram presas ou escaparam do castigo, insistindo que não sabiam que seus cosméticos eram venenosos.

Outra versão da história afirma que Tofana só teria sido presa e executada em 1709, assim seu reinado de terror teria durado ainda mais tempo.

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