A cruel história do africano que foi dissecado e exposto como um animal durante 80 anos em museu

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Sabe-se que no início do século XIX, os europeus mais abastados possuíam o habito de caçar os animais selvagens existentes ao redor do mundo e depois levá-los para casa para depois serem embalsamados e a posterior serem exibidos como “belos” troféus.

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Contudo, um francês chamado Jules Verreaux decidiu ir um pouco mais além e, já entediado com o embalsamento de animais, decidiu fazer o mesmo processo mas usando um ser humano. Mais especificamente com o corpo de um guerreiro africano enterrado na Cidade do Cabo.

Depois de feita a mumificação, o mesmo fora levado para um museu e exposto com o nome de “O Negro” no Museu Darder em Girona, norte da Catalunha, quase na fronteira entre Espanha e França.

E por cerca de 170 anos viajou entre museus da França e Espanha, onde gerações de europeus ficavam impressionados pelo seu corpo seminu preservado pela taxidermia. Sem nome ou história, ele era exibido como um troféu.

Mas em 1983 o escritor holandês Frank Westerman, o encontrou em um museu espanhol e resolveu investigar o caso. A história, segundo ele, conta que tudo começou quando Jules Verreaux, em 1831, testemunhou o enterro de um guerreiro ao norte da Cidade do Cabo, no interior da África. Porém, ele resolveu voltar durante a noite para roubar o defunto. Após o crime, preparou e preservou o corpo e o enviou em um navio para Paris, juntamente com os cadáveres de outros animais. No mesmo ano, o africano apareceu em uma exposição na Rua Saint Fiacre, 3.

Durante a sua estada no museu da Catalunha, o homem era um objeto de culto e parte da cultura tradicional. Ficou lá quase 80 anos e só foi retirado durante os Jogos Olímpicos de 1992, porque o médico haitiano Arcelin, que viveu na Catalunha, ameaçou um boicote internacional se o homem continuasse a ser exibido, alegando que aquilo era um sinal de racismo que ainda prevalecia na Europa. No entanto, em 1997, ele foi novamente colocado em exposição.

E foi só em 2000 que o governo de Botswana pediu a devolução do corpo ao seu país de origem, e ele foi recebido com honras. Lá ele fora “desmontado” e desprovido de elementos adicionados durante os anos de exibição. Então, no dia 5 de outubro de 2000, foi novamente enterrado em uma área perto do Parque Tsholofelo, sob um ritual cristão seguido de cantos e danças.

Até hoje ninguém sabe ao certo a identidade do guerreiro. Por meio de uma autópsia realizada em 1995 na Espanha, foi constatado que ele tinha cerca de 1,35 ou 1,40 m de altura, teria vivido até os 27 anos e provavelmente morrido em razão de pneumonia.

Em uma das placas memoriais podemos ler: “O Negro. Ele morreu em 1830. Filho da África. Seu corpo foi levado para a Europa. Ele retornou em 2000 para o solo africano”.

[BBC]